Nos últimos anos, o debate sobre a reforma tributária tem ganhado força no Brasil. Com um sistema considerado complexo, burocrático e pesado para empresas e cidadãos, a busca por um modelo mais simplificado e justo se tornou urgente. Em meio a essas discussões, surge uma preocupação constante: a alta carga de impostos que incide sobre produtos, serviços e a renda dos brasileiros.
O objetivo da reforma é modernizar e unificar tributos, reduzir distorções e melhorar o ambiente de negócios. Mas será que ela será capaz de aliviar o peso dos impostos ou apenas reorganizar a forma como eles são cobrados?
📊 Como é a carga tributária atual no Brasil?
O Brasil está entre os países com maior carga tributária da América Latina, mesmo sem oferecer serviços públicos na mesma proporção de países desenvolvidos. Confira abaixo um comparativo:
| País | Carga Tributária (% do PIB) | Qualidade dos Serviços Públicos |
| Brasil | 33% | Média/Baixa |
| Chile | 21% | Média |
| México | 17% | Média/Baixa |
| Alemanha | 38% | Alta |
| Dinamarca | 44% | Muito Alta |
Essa tabela mostra que o problema não está apenas no quanto se paga, mas no retorno que se recebe em saúde, educação, infraestrutura e segurança.
🧾 O que muda com a reforma tributária?
A proposta da reforma prevê a unificação de tributos federais, estaduais e municipais, criando dois novos impostos:
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): unificará ICMS (estadual) e ISS (municipal);
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substituirá PIS e Cofins (federais).
Além disso, haverá:
- Cobrança no destino, e não na origem (beneficiando estados consumidores);
- Redução da cumulatividade, com mais transparência nos tributos pagos;
- Implementação do cashback tributário para pessoas de baixa renda;
- Criação de um sistema de compensação mais ágil entre entes federativos;
- Imposto Seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (como cigarro e bebidas alcoólicas).
| Novo Tributo | Substitui | Nível de Competência |
| CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) | PIS, Cofins | Federal |
| IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) | ICMS, ISS | Estadual e Municipal |
| Imposto Seletivo | Produtos específicos (ex: bebidas, cigarros, poluentes) | Federal |
⚖️ Convivência entre dois sistemas exigirá atenção redobrada
Durante a fase de transição, prevista para ocorrer entre 2026 e 2033, as empresas precisarão lidar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo: o atual e o novo. Isso significa que, por alguns anos, será necessário apurar impostos tanto no modelo antigo quanto no novo, gerando desafios operacionais, contábeis e até de tecnologia.
Esse período de transição exige atenção redobrada: sistemas precisarão ser atualizados, profissionais capacitados, e será necessário revisar processos internos para garantir conformidade com as novas exigências. Empresas que se anteciparem nesse planejamento estarão mais preparadas para atravessar essa fase com tranquilidade.
💸 Quem pode se beneficiar ou ser afetado?
A depender do setor, a reforma pode gerar redução ou aumento de impostos. Por exemplo:
- Serviços (como educação, saúde e advocacia): podem ter aumento da carga tributária;
- Indústria e comércio: tendem a ser beneficiados com simplificação e possível redução;
- Startups e pequenas empresas: podem ter impactos diferentes, dependendo do regime (Simples, Lucro Presumido etc.).
O governo promete medidas compensatórias para setores mais impactados, mas os efeitos reais só serão sentidos após a regulamentação e entrada em vigor das novas regras.
🧠 A importância do planejamento tributário
Mesmo com a promessa de simplificação, a gestão tributária continuará sendo essencial. Ter um planejamento tributário bem estruturado permite:
- Escolher o melhor regime de tributação (Simples, Lucro Presumido, Lucro Real);
- Aproveitar benefícios e incentivos fiscais disponíveis;
- Evitar pagamentos indevidos e multas;
- Simular cenários de mudança e prever impactos financeiros;
- Adequar processos internos para melhor controle.
Empresas que mantêm uma contabilidade estratégica saem na frente quando o assunto é adaptação e economia tributária.
💬 Preocupações com os impactos práticos da reforma
Apesar dos avanços esperados com a reforma tributária, muitos empresários ainda demonstram cautela em relação às mudanças. Há dúvidas sobre como será feita a transição entre os regimes atuais e o novo modelo, quais setores serão mais beneficiados ou prejudicados e como a carga tributária será distribuída na prática.
Também existe o receio de aumento indireto de impostos, especialmente para empresas de menor porte que operam com margens mais apertadas. Por isso, o acompanhamento contábil especializado será essencial nesse novo cenário.
📆 Cronograma da transição: prepare-se com antecedência
A implementação das novas regras ocorrerá de forma gradual. De acordo com o previsto:
- Em 2026, haverá a introdução da CBS com alíquota teste e início de adaptação;
- Entre 2027 e 2032, os dois sistemas (atual e novo) conviverão simultaneamente;
- A partir de 2033, o novo sistema substitui completamente o atual.
Esse período de transição representa uma oportunidade para empresários e contadores ajustarem seus processos, capacitarem suas equipes e se prepararem para operar dentro das novas regras com segurança.
✅ Conclusão
A reforma tributária tem potencial para simplificar o sistema e melhorar o ambiente de negócios no Brasil, mas a preocupação com a alta carga de impostos continua relevante. A convivência entre os modelos antigo e novo exigirá planejamento, conhecimento técnico e acompanhamento próximo.
💡 Para entender como essas mudanças podem afetar sua empresa e como se preparar para elas, conte com o apoio da STM Assessoria Contábil. Estamos prontos para orientar você em todas as etapas desse processo, com clareza, segurança e estratégia.


